A inteligência artificial (IA) é uma febre. De uma rápida pesquisa na internet, encontramos diversos posts e textos que explicam como estudar inglês (e até mesmo outras línguas) valendo-se dessa ferramenta tecnológica. A tecnologia está aí, pessoal, pronta para ser usada a nossa favor. A propósito, não sei se você já notou, mas ferramentas como o próprio ChatGPT faz alertas no sentido de que a IA pode errar. Na própria tela você encontra os dizeres “o ChatGPT pode cometer erros. Por isso, lembre-se de conferir informações relevantes”.
O Portal Inglês no Teclado é dedicado ao estudo da língua inglesa. Já estamos há mais de 10 anos na estrada falando acerca de tudo que é aspecto voltado à língua inglesa. Por isso, no sentimento na obrigação de tecer breves considerações sobre cuidados importantes ao estudar inglês utilizando inteligência artificial.
Serei breve, até mesmo para não cansar a vista dos nossos leitores. A língua, como já dissemos diversas vezes em nosso portal, sofre mutações. Embora existam conceitos que perpassam gerações, há, por outro lado, entendimentos gramaticais que continuam de pé. Não fosse assim, nem conseguir ler este texto que você está lendo nesse exato momento, você conseguiria. A codificação, em certa medida, se faz necessária. Significa dizer que são os “padrões” que conseguem fazer com que nossa comunicação seja fluida e bata e volte entre as pessoas.
Em meio a essas mudanças, há sempre novas interpretações e formas de enxergas aspectos linguísticos, diferentes estudiosos e autores surgem com novas teorias e proposições.
Contudo, na qualidade de educador, percebo que, assim como vários aspectos da vida, há muito o que ser melhorado, sobretudo quanto às fontes de consultas efetuadas por inteligência artificial. Se nós mesmo, vira e mexe, fazermos consultas a fontes duvidosas, por que a inteligência artificial não faria? Não existe perfeição em forma de máquina.
Recentemente foi noticiado que o site Reddit – um fórum gigantesco alimentado sobretudo por discussões entre jovens, fechou uma parceria estratégica com a OpenAI em maio de 2024 para integrar seus conteúdos de fóruns ao ChatGPT e desenvolver novos recursos de inteligência artificial na plataforma.
Isso não é algo ruim, mas, do ponto de vista de quem sabe que nem tudo está na internet, é um alerta para quem quer estudar inglês utilizando inteligência artificial. Não foram poucas as vezes em que, ao consultar uma IA, percebi o conflito entre informações de um livro conceituado que a repassei, e a resposta persistente como se a informação que a entreguei estivesse equivocada ou não precisa. O que eu quero dizer que nem tudo está na internet, é que nem toda obra elaborada por pessoas que dominam certa matéria está disponível na internet – por uma série de razões que não cabe agora ficar discorrendo.
E digo-lhes mais. Até mesmo conceitos que resgatei de dicionários online conceituados (como o de Cambridge) foram rotuladas pela IA como imprecisos. Desse modo, isso me fazer pensar que, talvez, as fontes de consulta da inteligência artificial ainda careçam de ser auditadas. Você confiaria mais no que um jovem de 18 anos disse em um fórum ou num livro tradicional que foi sendo atualizado ao longo de décadas desde a sua criação? Não raro a ferramenta deixar de indicar de onde ela tirou dada informação e, você, pode acabar aprendendo algo errado. Isso, porque é natural a conduta que não quer preocupações ou não quer levantar suspeitas. Você simplesmente quer estudar e aprender algo, não quer dar uma de detetive. Você quer paz na sua vida – quem não quer? Ainda assim, o uso de inteligência artificial para estudar línguas, de modo geral, requer cautela. É você quem deve comandar e ditar as regras, não a máquina.
De igual modo, quanto aos cuidados, caso você busque por traduções de frases, termos, vocábulos de modo geral, sugiro que faça uma comparação entre o que certa ferramenta de IA ofertou e o que uma ferramenta como o Google Tradutor oferece. Vale o teste. Você poderá se surpreender. Na minha visão, o Google Tradutor ainda supera muitas ferramentas de inteligência artificial (que teimam em criar expressões ou linguagens não prevalentes no português). É preciso ficarmos vigilantes a muitas invencionices advindas das IAs. O estrangeirismo (anglicismo, neste caso) é um fenômeno que existe há muito tempo. No entanto, não podemos enxergar a ferramenta de IA como um oráculo do saber – justamente porque ela pode criar muitas coisas que não procedem e, por via da consequência, podem nos levar ao engano. Não foram poucas as vezes que ouvi alguém traduzindo alguma coisa do inglês para o português empregando construções inexistentes em nossa língua.
Temos de lembrar que somos nós que criamos a língua no dia a dia, conversando num boteco, papeando com colegas de trabalho, contando uma fofoca no salão de beleza; não a ferramenta tecnológica.
Por isso, ao estudar inglês ou qualquer outra língua com o auxílio da inteligência artificial, adote uma postura cética. O que quero dizer com isso é: sempre peça fontes de onde ela tirou dada informação e não apenas questione a ferramenta, cheque os links com as referência que ela te repassou. Acredito que este tipo de precaução é saudável e não te deixará em maus lençóis. Muita boa sorte nos estudos. Acompanhe as dicas de inglês do nosso portal também no YouTube.